Com Temer, subemprego substitui emprego com carteira assinada

Dos 2,3 milhões de trabalhos gerados em 2017, 1,7 milhão são informais, segundo IBGE

Com Temer, subemprego substitui emprego com carteira assinada

Desde que Michel Temer (PMDB-SP) assumiu o governo, em maio de 2016, por meio de um golpe que destituiu do poder uma presidenta legitimamente eleita, o número de trabalhadores desocupados, subempregados ou em condições precárias aumentou. Os números da recente Pnad Contínua, pesquisa oficial de emprego do IBGE, divulgada nesta quinta-feira (30), comprovam o desastre que as medidas impopulares do ilegítimo Temer representam para a classe trabalhadora.

Dos 2,3 milhões de trabalhos gerados em 2017, cerca de 76% – 1,7 milhão – são informais. Do total de vagas criadas este ano, 721 mil são sem carteira assinada, 676 mil por conta própria e 159 mil domésticos. Outros 187 mil se declararam empregadores e 511 mil postos de trabalho foram gerados no serviço público.

Segundo a pesquisa trimestral do IBGE, o desemprego aumentou 5,8% entre agosto e outubro deste ano em comparação ao mesmo período de 2016. O Brasil tem hoje um total de 12,7 milhões de pessoas desempregadas.

Para Graça Costa, secretária de Relação de Trabalho da CUT, os números divulgados pelo IBGE apenas reforçam a perversidade das medidas deste governo ilegítimo que não tem política pública, só uma ponte para o passado.

“A CUT vem denunciando os impactos das medidas perversas de Temer desde o golpe. Com a aprovação da Reforma Trabalhista, que liberou a terceirização irrestrita, o trabalho intermitente, o PJ, ou seja, legalizou a fraude e as formas precárias de contratação, a tendência será, daqui para frente, nos depararmos com estudos que mostram um avanço cada vez maior do subemprego”, explica.

Os dados do IBGE confirmam a avaliação da secretária. Um deles é a redução de 2,2% – menos 738 mil – no número de trabalhadores e trabalhadoras com carteira assinada em comparação ao mesmo período de 2016. Em contrapartida, cresceu o número de trabalhadores e trabalhadoras por conta própria em 5,6% – aumento de 1,2 milhão de pessoas.

“A reforma institucionalizou o bico, como diz o presidente da CUT”, diz Adriana Marcolino, da subseção do Dieese da CUT, se referindo a uma frase que vem sendo muito repetida por Vagner Freitas.

Ela alerta para o fato dos “falsos conta própria, pois a grande maioria é, na verdade, trabalhador com contrato precário de trabalho, sem carteira assinada”.

Os chamados conta própria são em grande parte trabalhadores e trabalhadoras contratados como pessoa jurídica ou outras formas de contratação informais, explica Adriana, que complementa: “o fato de não crescer o rendimento individual médio do trabalhador confirma a constatação de que os atuais empregos gerados são precários ou subempregos”.

Para Vagner, a precariedade dos empregos gerados mostra que este governo ilegítimo não tem política de geração de emprego e renda. “O desemprego é programado para reduzir custos. Para os neoliberais, os pobres só geram despesas, os ricos é que aquecem a economia”.

“Ao contrário dos conservadores, a CUT tem certeza de que os pobres e a classe trabalhadora são os responsáveis pela geração de riqueza no Brasil”, afirma Vagner.

Segundo ele, na maioria dos países desenvolvidos, ter uma ampla e forte classe trabalhadora é condicionante para um crescimento sólido. Para a CUT, além de uma classe trabalhadora forte, “é essencial ter desenvolvimento econômico sustentável com justiça e inclusão social e distribuição de renda”, afirma Vagner.

Tanto Vagner quanto Graça Costa insistem que é fundamental a participação dos trabalhadores e trabalhadoras na Greve Nacional do dia 5 de dezembro.

“É a oportunidade que a classe trabalhadora tem de defender os seus direitos e sinalizar ao governo e seus aliados no Congresso que não votarão em parlamentares que retiram direitos trabalhistas, destroem empregos decentes e acabam com a aposentadoria e carteira assinada”, concluem os dirigentes.

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